quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Gordinho no motel



Quando me casei pela primeira vez há uns bons 25 anos atrás, minha
primeira mulher me achava um * tesão*. Descasei depois de 21 anos e me juntei com outra mulher e essa já me achava um * pesão* Daí estive refletindo e há certas coisas que me incomodam...

Algumas ocasiões são realmente muito desagradáveis na vida de um gordo. Ir a um motel, com toda certeza, é uma delas. Tudo em um motel parece que foi projetado minuciosamente para sacanear com a cara dos obesos. Reparem só.


Na grande maioria desses estabelecimentos é preciso subir uma escadaria para chegar ao quarto. Isso não se faz. Ou o gordo trepa ou sobe escada. As duas coisas no mesmo dia são impraticáveis. O gordo chega tão esgotado no quarto que parece até que já deu duas no caminho.

A parceira, então, propõe uma hidromassagem para relaxar. O que, na verdade, quer dizer: ' - Por que você não vai tomar banho,seu gordo sebento?'.

Já na banheira, o gordo percebe que nem a água quer ficar com ele. Metade cai fora, preferindo manter uma relação mais íntima com o chão do banheiro. Dá um friozinho na barriga. Até porque parte da barriga, como um iceberg, fica pra fora da espuma.

Mas é na saída do banho que a situação fica ainda mais ridícula. Chega o fatídico momento de colocar o roupão. É triste. Com algum esforço, o cinto até fecha, mas o roupão não. Fica aquele decote tipo Luma de Oliveira, que dá pra ver até o umbigo.

Só que no lugar da Luma está o Jô, saca! É constrangedor.

Quando o gordo finalmente chega no quarto, a situação consegue ficar ainda pior. Se um elefante incomoda muita gente, dez elefantes de roupão refletidos nos espelhos incomodam muito mais. Para que tanto espelho? Se o próprio gordo já fica mal, imagina a parceira cercada pela manada? Se eu fosse ela, não dava mais de comer aos animais.

Mas de todos os espelhos o mais cruel, sem dúvida, é o do teto. A vista é estarrecedora. Dá até para entender por que a maioria das mulheres transa com os olhos fechados.

Acho que a única utilidade de tantos espelhos é prá gente conseguir ver o pinto que a barriga não deixa a gente ver ha muitos anos. Já faço até xixi no piloto automático.

Eu, como sou um gordo experiente, uso uma tática infalível: ligo o ar condicionado no máximo para forçar o uso do lençol. Afinal, o que os olhos não vêem...


(Jô Soares- texto / entrevista)

1 comentários, click aqui para comentar:

Marcella Leal disse...

..e impossivel não imaginar o Jô em um motel com seu corpo mega escultural, chorei de rir.

Beijos e tem post novo no meu blog, além de que, voltei com um blog de humor com seis amigos meus, então, dê uma olhada (e comentada) depois:
http://www.movimentotenso.blogspot.com/